segunda-feira, 11 de maio de 2015

Fé e fidelidade

Catedral de Galway, na Irlanda
Não é que nos tornamos infiéis, transgressores, desertores,
A música simplesmente está tocando em uma freqüência diferente.
Cada um ouve o que quer, imagina seu caminho como bem deseja.

Vivemos nos tempos das guerras mentais, no campo das ideias.
Ideologias, demagogias, hemorragias, teologias, soteriologias...
Tantas "gias". Logias. Lógicas ilógicas. Loucuras sãs, sabedorias inúteis.

Vidas fúteis. Futilidades úteis. Fé a preço de banana, vendida em cada esquina.
Na feira, de Domingo a Segunda, de primeira e de terceira.
Pessoas sendo tratadas como coisas. Meras mercadorias.

Coisas deusificadas, reificadas, coisificadas, codificadas.
Uma neblina de conceitos ditando as novas virtudes.
Passaportes carimbados para estes admiráveis novos mundos.

E a essência, o invisível, o intrínsseco, sendo deixado de lado.
A verdadeira razão da fé sendo esquecida em algum banco de igreja.
Histórias abandonadas, martírios ignorados, missões perdidas.

Poeiras e teias de aranha em construções humanas. Antropomórficas.
Quadros e figuras, estátuas e cruzes estáticas, mortas.
Não! Deus não está ali. Nem lá no monte, nem nas colinas.

Onde estará então Aquele que merece a devoção da fé verdadeira?
Quem O conhecerá? Aquele que não habita em construções humanas?
Nas feridas dos flagelos, nos joelhos rotos, nas machucaduras dos crentes?

Nos pés cansados do peregrino, na poeira das sandálias?
Nas lágrimas de mães que perderam seus filhos?
Nos olhos das crianças inocentes entregues à morte?

Na fome dos coitados, fatigados senhores da rua?
Nas mãos calejadas dos velhos já sem vida?
Em coincidências, em vislumbres, em sinais?



Não! Deus é Espírito!


E somente aqueles que são nascidos do Espírito, assim como o vento,
Eles O encontrarão e O adorarão em espírito e em verdade.
Ali, somente ali, está a fé verdadeira, nAquele que tudo pode.

Crer, com todo o coração, confiar e entregar, tudo.
Não importa mais o lugar, o tempo, as roupas.
Na presença dEle não somos nada além de pó.

Não somos mais nada, nada mais.



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